Rodo de aplicativo em Brasília há 8 anos, já são 29 mil viagens. Boa parte delas com Uber e 99 ligados ao mesmo tempo, no mesmo turno. A pergunta que mais recebo sobre isso não é qual dos dois é melhor. Pergunta errada. A que importa é outra: qual dos dois está pagando melhor agora, nesse horário, nessa região, e como rodar nos dois sem se atrapalhar.

Se você ainda não tem a base fixada de como avaliar corrida, horário e região, vale ler antes o guia completo de ganhos. Ele cobre o que decide o quanto você fatura antes de entrar em multi-app. Aqui eu vou direto no que muda quando os dois apps estão ligados juntos.

Não existe app melhor de forma fixa

Teve semana em que a Uber pagou melhor de manhã e a 99 pagou melhor à noite, no mesmo bairro. Teve mês em que inverteu. Os dois ajustam preço e demanda o tempo todo, e ajustam de formas diferentes um do outro, por causa própria de cada plataforma. Motorista que fica preso a um app só está apostando que ele vai continuar pagando bem pra sempre. Não vai, porque nenhum dos dois trabalha assim.

Rodar nos dois ao mesmo tempo tira essa aposta do jogo. Você não escolhe um e torce. Você compara o que está sendo oferecido ali, na hora, e direciona sua atenção pra onde compensa mais naquele momento. Se você ainda roda só num app e quer entender o potencial de cada um separado antes de somar o segundo, os artigos sobre ganhos específicos na Uber e sobre ganhos específicos na 99 entram nesse detalhe.

Como rodar nos dois sem perder corrida

O medo mais comum de quem pensa em multi-app é perder chamada de um enquanto está em corrida no outro. Vale separar isso em dois problemas, porque a solução não é a mesma pros dois.

O primeiro problema é notificação. Os dois apps rodam em segundo plano no mesmo celular, e é fácil não perceber o som de chamada de um enquanto a tela mostra o mapa do outro. Na prática, ajuda configurar som de notificação diferente pra cada app no próprio celular, e criar o hábito de olhar a tela assim que fecha uma corrida, antes de sair dirigindo pro próximo ponto.

O segundo problema não tem solução, só aceitação: enquanto você está dentro de uma corrida no app A, uma chamada que aparece no app B vai passar pra outro motorista. Isso é inevitável, não é erro de configuração nem falha sua. O ganho de rodar nos dois não vem de nunca perder chamada nenhuma. Vem de, no tempo livre entre corridas, estar disponível nos dois apps ao mesmo tempo em vez de só num.

Alguns motoristas usam dois celulares, um pra cada app, exatamente pra reduzir o primeiro problema: elimina o risco de não ouvir a notificação. Não elimina o segundo, porque uma corrida sempre vai ocupar sua atenção inteira enquanto está rolando, e a outra plataforma segue oferecendo pra quem estiver livre.

Isso também muda como você monta o celular no carro. Com dois aparelhos, vale posicionar os dois no mesmo campo de visão, lado a lado no suporte, pra bater o olho nos dois sem tirar atenção da via por muito tempo. Com um aparelho só rodando os dois apps, o problema de notificação fica mais crítico, porque a tela alterna entre um e outro e você passa a depender do som pra saber qual chamou.

Qual app ligar primeiro no início do turno

No começo do turno, os dois apps estão vazios de corrida aceita, então a dúvida é se liga um primeiro ou os dois juntos. Minha resposta é ligar os dois juntos, sempre. Não existe vantagem real em esperar um pra só depois ligar o outro: enquanto um não está rodando, ele simplesmente não está oferecendo nada, e essa espera não compra nenhuma vantagem.

O que muda é pra qual corrida você dá prioridade quando os dois oferecem ao mesmo tempo. Aí sim existe critério: qual dos dois historicamente paga melhor nesse horário, nessa região, pela sua própria experiência rodando ali. Na prática, é assim que eu decido: acompanho por algumas semanas em que faixa de horário cada app costuma oferecer corrida melhor na região onde estou rodando, e uso isso como primeira leitura do turno, não como regra fixa pra sempre. Isso não é regra tipo Uber de manhã e 99 à noite. É hábito de acompanhar, semana a semana, qual dos dois costuma oferecer corrida melhor num determinado horário, e ajustar sua atenção pra lá primeiro sem desligar o outro.

Alta performance, do jeito que eu defino, é faturar de R$3 a R$5 mil brutos por semana rodando Uber e 99. Multi-app é uma ferramenta pra chegar nesse número, não o objetivo em si. Motorista que roda só na Uber com método bem aplicado pode chegar lá tão bem quanto quem roda nos dois. O que muda é a margem de manobra que sobra no dia em que um dos dois apps está fraco.

O risco de dividir atenção demais

Rodar dois apps ao mesmo tempo pede mais atenção que rodar um só, e isso tem custo real. É o motivo pelo qual multi-app não é pra todo motorista, principalmente no começo.

Quem está aprendendo a dirigir em Brasília, aprendendo o padrão de trânsito da cidade e aprendendo a calcular o próprio custo por quilômetro já tem carga suficiente pra processar. Somar em cima disso a decisão de qual app responder primeiro tende a gerar mais confusão do que ganho.

O risco aparece na prática assim: motorista aceita corrida ruim porque estava olhando os dois apps ao mesmo tempo e não deu atenção pra distância real até o passageiro. Ou perde uma corrida boa porque estava mexendo no outro app bem na hora em que ela apareceu. Nos dois casos, a tentativa de otimizar entre apps custou mais do que rendeu naquele momento.

Quando faz mais sentido focar num só

Focar num app só faz sentido em pelo menos três situações. A primeira é nas primeiras semanas rodando, enquanto você ainda está aprendendo a separar corrida boa de corrida ruim dentro de um único app, sem duplicar a variável antes de dominar a base.

A segunda é quando um dos dois apps claramente não tem demanda na sua região, no seu horário. Manter ele ligado só ocupa espaço na tela sem trazer corrida nenhuma. Nesse caso, desligar e focar no que está de fato oferecendo rende mais do que manter os dois por princípio.

A terceira é quando o custo de atenção supera o ganho de comparar preço. Se checar os dois apps tira seu foco do trânsito ou da corrida em andamento, o multi-app está custando mais caro do que qualquer diferença de tarifa que ele recupera. Nesse caso, um app só, rodado com atenção cheia, vale mais do que dois rodados pela metade.

Não vale perseguir centavo de diferença

Nem toda diferença de preço entre os dois apps justifica trocar de prioridade no meio do turno. Se a Uber está oferecendo alguns reais a mais numa corrida parecida com a que a 99 ofereceu, não compensa abrir o outro app, cancelar o que já estava perto de aceitar e reorganizar a rota por causa disso. O tempo e a atenção gastos nessa troca custam mais do que a diferença resolve.

O critério que compensa é de padrão, não de corrida isolada. Vale mudar de prioridade quando um app está pagando visivelmente melhor durante um período inteiro do turno, não quando uma corrida ou outra parece um pouco melhor no momento. Reagir a cada centavo é o tipo de otimização que parece cuidado e na prática só cansa.

Comparar só funciona com método por trás

Comparar Uber com 99 exige que você já saiba avaliar uma corrida antes de aceitar: distância até o passageiro, distância da corrida, horário em que ela acontece. Sem isso, multi-app vira só mais uma fonte de indecisão, porque agora você hesita em dois lugares ao mesmo tempo em vez de um. Com isso, vira uma variável a favor, porque você passa a escolher a melhor corrida entre duas fontes de oferta, não só dentro de uma.

Esse texto cobre a estratégia de rodar nos dois apps junto. Pra aprofundar em cada um separado, ou revisitar a base completa antes de somar o segundo, os artigos abaixo entram no detalhe de cada etapa.

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