Rodo de aplicativo em Brasília há 8 anos. Já são 29 mil viagens, e nesse tempo todo eu vi o mesmo começo se repetir quase sempre do mesmo jeito: a pessoa termina o cadastro, sai rodando animada no primeiro dia e, três semanas depois, já tá se perguntando se valeu a pena.

Isso não acontece porque a pessoa dirige mal ou porque Brasília é uma cidade difícil demais pra começar. Acontece porque ninguém avisou as coisas que eu vou listar aqui. São sete pontos que eu via errado, ou via passar batido, em quem tava começando, e que eu mesmo só aprendi rodando, sem ninguém pra encurtar o caminho.

Não é lista de blog genérico copiada de outro site. É o que eu via de perto, motorista atrás de motorista, na mentoria e rodando ao lado deles em Brasília.

Sete coisas que eu queria ter sabido antes de começar

1. O cadastro é a parte fácil

Cadastro na Uber em Brasília leva poucos dias: documento, CNH, foto do carro, aprovação do app. A maioria trata isso como se fosse o obstáculo principal, e comemora quando o app libera pra rodar. Não é o obstáculo. É só a porta de entrada. O trabalho de verdade começa na primeira semana rodando, quando você descobre que a cidade não se importa com o quanto você estudou o aplicativo antes de sair de casa.

O que pouca gente avisa é que o cadastro nem sempre passa de primeira. Foto do documento sem nitidez, ângulo errado da foto do carro, veículo fora do ano mínimo pra categoria escolhida, qualquer um desses detalhes trava a aprovação e manda de volta pra revisão. Isso atrasa dias, não minutos. Conte com isso no seu planejamento, não com a estimativa mais otimista. Se ainda falta terminar essa etapa, o passo a passo do cadastro está detalhado à parte, com documento, prazo de aprovação e escolha de categoria.

2. Escolha o horário de início do turno com intenção

Sair de casa sem decidir antes que horas vai começar é rodar no escuro. Brasília tem horário de pico bem marcado: o Plano Piloto enche na entrada e na saída do trabalho, e esvazia à noite. Decidir o horário de início com um motivo por trás, não só "quando eu acordar", muda o tanto que as primeiras horas do turno rendem. Isso vale tanto pra quem roda de manhã quanto pra quem prefere rodar à noite.

3. Não aceite toda corrida só por medo de perder

Motorista novo aceita praticamente tudo que aparece na tela. Corrida curta, corrida pra bairro sem volta, corrida em horário fraco, tanto faz, o medo de perder oportunidade, ou de a taxa de aceitação cair, fala mais alto. Isso enche a agenda de corrida ruim e deixa menos espaço livre pra quando a corrida boa aparecer. Recusar corrida ruim custa pouco. Aceitar corrida ruim custa o dia inteiro, só que esse custo você só enxerga no fim da semana, olhando o extrato.

4. Calcule o custo real desde o primeiro dia

A maioria só senta pra calcular o custo real depois que já sente o aperto: cartão subindo, revisão cara, manutenção que pesou mais do que devia. Faça essa conta antes da primeira semana, não depois da vigésima. É simples de montar:

  • Combustível gasto na semana.
  • Manutenção estimada (óleo, pneu, revisão), dividida pelo tempo até a próxima troca.
  • Parcela do carro, dividida pelos dias trabalhados no mês.

Subtraia isso do que entrou. O número que sobra é o seu ganho real, e é ele que te diz se o app tá compensando, não o valor bruto que aparece na tela no fim do dia.

5. Não decida "ir pro Comfort" antes de aprender o básico no X

É comum quem tá começando achar que só vai ganhar bem depois de trocar de categoria, sair do X e entrar no Comfort ou no Black. Categoria melhor ajuda, mas não resolve sozinha pra quem ainda não aprendeu a escolher corrida, horário e região certos. Motorista que aprende o método rodando no X costuma faturar mais do que motorista no Comfort rodando sem critério nenhum. Aprenda o básico primeiro. Depois, categoria vira multiplicador, não solução. Eu entro em mais detalhe sobre a diferença entre categoria e método no guia completo de ganhos.

6. Cuide da manutenção preventiva do carro

Carro parado é dia sem faturar, e às vezes é a semana inteira sem faturar, dependendo da peça. Troca de óleo, calibragem, revisão de freio e pneu não são gasto pra empurrar pra depois só porque o carro "ainda tá andando". Sai mais barato prevenir do que perder três dias de trabalho esperando peça ou oficina. Quem começa sem essa rotina costuma descobrir isso do jeito caro, com o carro parado bem na semana que mais precisava rodar.

7. Nos primeiros 30 dias, esperar ganhar menos é normal

Todo mundo que começa compara o próprio primeiro mês com o motorista que já roda há anos, e sai perdendo dessa comparação. Isso é esperado. Motorista experiente já sabe onde a cidade paga bem, em que horário, em que categoria, e isso não se aprende lendo, se aprende rodando.

Nos primeiros 30 dias, ganhar menos que quem já roda há anos não é sinal de que você escolheu errado. É o tempo que Brasília leva pra te ensinar onde ela paga bem. Esse período existe pra todo mundo que começa, sem exceção.

Essas sete coisas resolvem a maior parte do que trava quem tá começando a rodar Uber em Brasília. O resto vem com o tempo rodando, prestando atenção no que funciona pra sua rotina e no que não funciona.

Esse texto foi pensado pra quem vai começar pela Uber. Quem prefere rodar na 99 tem o guia equivalente, com o que muda de uma plataforma pra outra.

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